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Dia do trabalhador : 1º de maio: uma data de reflexão?

Dia do Trabalho teve origem com greve nos Estados Unidos

O Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é comemorado anualmente em 1º de maio em diversos países do mundo e no Brasil é feriado nacional. Esta data representa o momento que os empregados e as empresas têm para refletir sobre as legislações trabalhistas, normas e demais regras de trabalho. Nesta data também é homenageada a luta dos trabalhadores que reivindicaram por melhores condições trabalhistas. Graças à coragem e persistência desses trabalhadores, os direitos e benefícios atuais dos quais muitos trabalhadores usufruem foram conquistados.

Dia do Trabalho teve origem com greve nos Estados Unidos

Até meados do século XIX, os trabalhadores jamais pensaram em exigir seus direitos trabalhistas para seus patrões, apenas trabalhavam. Mas, a partir de 1886, aconteceu uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago, para reivindicar a redução da jornada de trabalho (de 13 horas para 8 horas diárias), e nesse mesmo dia teve início uma greve geral nos Estados Unidos. Os conflitos estadunidenses ficaram conhecidos como Revolta de Haymarket.

Três anos após as manifestações nos Estados Unidos (20 de junho de 1889, precisamente), foi convocado em Paris uma manifestação anual para reivindicação das horas de trabalho e foi programada para o dia 1º de Maio, como homenagem as lutas sindicais em Chicago.

No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado. Após alguns anos, outros países também seguiram o exemplo da França e decretaram o dia 1º de maio como feriado nacional dedicado aos trabalhadores.

No Brasil

No Brasil, o Dia do Trabalhador só foi reconhecido a partir de 1925, através de um decreto assinado pelo então presidente Artur Bernardes. A criação da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) foi instituída através do Decreto-Lei nº 5.452, em 1º de Maio de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas. Durante o governo Vargas realizavam-se grandes manifestações que incluíam música, desfiles e normalmente o anúncio de alguma nova lei trabalhista. Até hoje, alguns governos seguem a tradição e comunicam o aumento do salário mínimo nesta data. O dia é comemorado com manifestações convocadas pelas principais centrais sindicais do Brasil para reivindicar melhores condições de trabalho.

 

Na região

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí e Região e também Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo (Fedmetalsp), Eliseu Silva Costa, que representa cerca de 800 mil trabalhadores da categoria metalúrgica de todo o Estado de São Paulo enfatizou que o 1° de Maio é uma data de reflexão. “Estamos vivendo um momento de extrema turbulência no cenário político e econômico, por essa razão é importante que lutemos pelo bem coletivo. A história da nossa categoria está aí para quem quiser ver, nossos maiores triunfos foram embasados no trabalho, na união e na conscientização. Não podemos permitir que as nossas conquistas sejam esquecidas e muito menos retiradas do punho forte desta nação, que são os trabalhadores. Ficaremos atentos e iremos até as últimas consequências para defender os trabalhadores. A luta continua!”.

O presidente do Sindicato dos Alimentícios de Jundiaí e Região, Edilson de Carvalho, ressaltou a importância de as lutas continuarem para a manutenção dos direitos, mas ressalta que, diante das perdas de mais de 130 itens que foram retirados da CLT, o trabalhador não tem muito o que comemorara neste 1º de maio.

Entretanto, Edilson destaca que a reforma trabalhista tinha como objetivo a geração de mais empregos e ajudar o trabalhador, mas que isso não vem ocorrendo. “Pelo contrário, o desemprego continua e a reforma tem sido benéfica apenas para os empresários”, salientou o sindicalista, observando que tem aumentado as reclamações trabalhistas no sindicato. “Quando o trabalhador faz a homologação na empresa, o sindicato tem de recontar, pois, na maioria das vezes sempre dá diferença”, apontou Edilson. “Com medo de perder  ter de pagar os encargos e perder a causa, muitas vezes o trabalhador deixa de fazer as reclamações trabalhistas. Mas estamos pedindo que a categoria não deixe de procurar o sindicato para fazer as homologações”, concluir o presidente.

Mas, Edilson apontou uma conquista neste período pós reforma trabalhista: muitas empresas estão preferindo manter a homologação através do sindicato. “Não podemos esquecer dos trabalhadores que perderam a vida para conseguir os direitos conquistados e que o governo quer nos tirar. Independentemente de qualquer situação, o sindicato vai estar sempre ao lado dos trabalhadores”.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Jundiaí e Região (Sitcom), José Carlos da Silva, embora seja uma data importante que lembra das conquistas trabalhistas, com a aprovação da Reforma trabalhista em 2017, tudo o que foi conquistado na era Vargas e suas benfeitorias para o trabalhador foram jogadas no lixo. “Hoje o trabalhador não tem mais motivos para comemorar. Mas não devemos abandonar a luta na tentativa de reverter aquilo que nos foi tirado”, salientou.

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Jundiaí e Região, Milton de Araújo, o papel fundamental, enquanto sindicato, é de amparar o trabalhador, informá-lo e mobilizá-lo para que possamos juntar força e expressão contra a retirada de direitos e todo esse pacote de maldades que o governo tenta impor. “Desde a primeira sinalização do atual governo de que reformaria as leis trabalhistas, bem como a previdência, já nos atentamos para suas reais intenções: prejudicar o trabalhador, sobretudo com a retirada de direitos fundamentais. “Percebe-se que a única preocupação do governo é transferir para o trabalhador as consequências prejudiciais das reformas que estão fazendo. Juntamente com empresários, o governo reforma leis oferecendo ao trabalhador migalhas, como subempregos, retirada de benefícios e, consequentemente, desemprego e condições indignas”, destacou.

 

 

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