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Elas não querem respeito apenas no ‘Dia Internacional da Mulher’

Dia Internacional da Mulher: um data para reflexão

O dia 8 de março é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos EUA e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até as primeiras décadas do XX.

No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia.

Hoje, mais do que uma data comemorativa, a data enfatiza as lutas e as conquistas, mas ainda há muito por que lutar. A mulher contemporânea acumula vitórias como a sua inserção no mercado de trabalho, ampliação de sua liberdade sexual e reprodutiva, a conquista da independência financeira e dos direitos políticos, mas a violência contra a mulher ainda é uma luta que a sociedade precisa vencer.

A Guarda Municipal Luiza do Carmo Lima Rosa que está na GM há 17 anos, sendo formada na primeira turma da GM Feminina destaca que logo no início sofreu preconceitos tanto por parte da sociedade, quanto da própria corporação pelo fato de ser mulher. “Com o tempo fomos nos enquadrando na profissão e com o tempo este preconceito foi passando. Ele existe ainda, mas é bem menor e somos reconhecidas pelo que fazemos profissionalmente”, destacou, observando que atualmente o efetivo da GM Feminina de Várzea é de 18 mulheres, cerca de 20% do efetivo profissional.

Sobre estar atuando em uma profissão de perigo, Luiza diz que é preciso saber separar a vida particular e profissional. “Quando deixamos a casa e chegamos na corporação, o compromisso é com a sociedade, deixando de lado as outras funções como mãe, esposa, irmã. Na rua somos profissionais e temos que focar no trabalho, esquecendo os riscos”, contou.

Há nove anos na GM de Várzea Paulista, Aretuza Azevedo também destaca que a mulher tem a capacidade de atuar profissionalmente me qualquer área e na GM não é diferente. “Nossa força física não é igual a dos homens, mas hoje a sociedade não quer uma segurança pública ostensiva, mas sim, uma segurança comunitária e mediadora de conflitos e as mulheres são tão capazes quanto os homens e em se tratando de mediar conflitos, muitas vezes mais sensível”, salientou, observando que é a mulher que na maioria das vezes media os conflitos em casa.

Para ela, ainda falta muito para que a mulher tenha o reconhecimento que merece, principalmente profissional. “Acho que falta o principal, que é o respeito, pois, citando Augusto Cury, se a mulher estivesse à frente de muitas decisões, seriam evitadas muitas guerras e conflitos. Desde os primórdios a mulher é discriminada e somos vítimas de uma sociedade machista e ainda temos muito a lutar para avançar neste reconhecimento que queremos”, salientou.

Outra GM é Grace  Aparecida Rodrigues Alves que este mês completa 8 anos na corporação e atualmente é faz parte do projeto Guardião Maria da Penha que tem por objetivo garantir que as medidas protetivas às mulheres sejam cumpridas. “Uma destas medidas é garantir que o agressor seja afastado  desta mulher para garantir a sua segurança e este acompanhamento é feito por que os homens não respeitam as medidas”, explicou, lamentando que foi preciso fazer uma lei para que a mulher tivesse uma proteção maior.

Ela avalia que, de todos os problemas que a mulher sofre, a violência é o pior de todos. “Na realidade toda mulher já passou por um tipo de agressão, pois a violência contra a mulher não é só física, ela pode ser  psicológica, sexual, moral  a atualmente a violência virtual e também a patrimonial, que é quando o marido quer gerenciar a conta da esposa”, exemplificou.

Grace argumenta também que a violência contra a mulher é cultural e muitas vezes vem de geração. “Temos relatos de mulheres que dizem: meu avó batia na minha avó, meu pai batia na minha mãe e por que meu marido não pode me bater?. Tem mulheres que acham que isso é normal e defendem o agressor. Por isso, temos que conscientizar a mulher de que isso não é normal”, pontuou.

A GM salientou ainda que sempre houve um número alto de violência só que não era divulgado, mas agora com a visibilidade da Lei Maria da Penha as mulheres estão denunciando mais. “Mas ainda é pouco, além da lei é necessário políticas públicas e outras ações para amparar a mulher, pois, muitas ao denunciar um agressor não tem para onde ir, não tem emprego e outras formas de sustento “, finalizou.

 

 

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