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Barreiras e preconceitos: Pessoas com Deficiências lutam para entrar no mercado de trabalho

Dia 21 de setembro é celebrado o Dia Nacional de luta da Pessoa com Deficiências

Com a Lei de Cotas 8.213, de 24 de julho de 1991, que obriga empresas com 100 ou mais funcionários contratem de dois a cinco por cento dos seus cargos com reabilitados ou pessoas com deficiências, a esperança era de que muitas das pessoas pudessem conseguir autonomia e a capacidade para exercerem atos da vida civil em condições de igualdade com as demais pessoas. Entretanto, esta não é a realidade para milhões de brasileiros e na região de Jundiaí não é diferente.

Dados do IBGE revelam que 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) considerou quatro tipos de deficiências: auditiva, visual, física e intelectual. O levantamento foi divulgado em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e feito em parceria com o Ministério da Saúde.

Segundo o Assessor de Políticas para a Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Jundiaí, Marco Antônio dos Santos, que é psicólogo, atualmente no Brasil 24% das empresas contratam estes profissionais. “São 403 mil ocupando estas vagas, mas o potencial é de que mais de 2 milhões de pessoas possam estar neste mercado de trabalho”, exemplificou, observando que a região não está longe da média nacional e que tem capacidade de crescimento.

Marco Antônio salienta que as empresas vêm buscando estes profissionais devido a fiscalização para que cumpram a legislação e embora tenha melhorado, a maior barreira ainda é o preconceito, principalmente com as deficiências mais severas, reduzindo as opções para muitas pessoas. Além dos obstáculos físicos como acessibilidade compatível, adaptações físicas para que possam trabalhar. “Outra restrição que dificulta a inserção neste mercado de trabalho é com relação aos mais qualificados, ou seja, as vagas são para os menos qualificados, as chamadas vagas ‘chão da empresa’, de serviço, uma vez que as empresas não querem investir em cargos mais elevados”, explicou.

Devido estas barreiras sobra pouco espaço para as pessoas com deficiências que muitas vezes acabam buscando uma colocação profissional através de concursos no serviço público. Ainda assim, Marco argumenta que a qualificação é importante. “Em Jundiaí existem vários programas e cursos para pessoas com deficiências”.

Em sua avaliação, as cotas ajudaram, mas é preciso que as empresas vejam a pessoa com deficiências, como alguém que pode colaborar com a sociedade através de sua potencialidade. “Isso com certeza muda o mundo destas pessoas fazendo que com que recuperem sua autoestima. Além do que estas pessoas têm um grande potencial e normalmente vestem a camisa da empresa”, pontuou.

 

Fórum discute de empregabilidade para pessoas com deficiências

Com o objetivo de discutir vários temas neste segmento, a Prefeitura de Jundiaí realiza na segunda-feira (24) o I Fórum sobre Empregabilidade para a Pessoa com Deficiência. O evento é uma realização da Assessoria de Políticas para a Pessoa com Deficiência, em parceria com o Conselho Municipal. Marco-Antonio-dos-Santos

Um dos destaques do fórum será a presença do médico José Carlos do Carmo que é auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego e coordenador do Projeto de inclusão da Pessoa com Deficiências em São Paulo. “Ele vai abordar a Lei de Cotas mediante a Lei Brasileira de Inclusão”, destacou Marco Antônio, observando que espera mostrar para empresários, gestores de RH, estudantes e a sociedade de uma maneira geral que é possível fazer contratações das pessoas com deficiências com profissionais qualificados. “Este Fórum vem ao encontro destas novas conotações da nova legislação e amplia a questão da deficiência”, salientou.

Nova lei da pessoa com deficiências

Marco Antônio destacou ainda que desde 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência) ampliou o conceito de deficiências, passando a considerar as doenças de caráter psicossocial, como Autismo, Esquizofrenia, Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC) entre outros, como aptos a inserção no mercado de trabalho. “Este é mais um desafio que teremos que vencer. Por se tratar de uma determinação nova, as empresas ainda resistem”, destacou, observando que o fórum chama a atenção para esta questão. “Precisamos fortalecer a fiscalização, mas acima de tudo, sensibilizar as empresas dos benefícios sociais, a inclusão destas pessoas”, argumentou.

A programação, que vai das 8 às 12h30, será no auditório da Universidade Paulista (Unip), que fica na Avenida Armando Giassetti, 577, na Vila Hortolândia. A participação é aberta a todos os interessados e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 4588-5323.

 

 

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