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Uso de drogas por caminhoneiros nas estradas ainda é um problema

O uso das drogas é para fazer frente a uma rotina extenuante de longas jornadas de trabalho, por várias horas seguidas

Mesmo com a chamada Lei do Descanso do Caminhoneiro que entrou em vigor em 2012 e que garante descanso obrigatório aos profissionais deste setor, a vida do caminhoneiro não é fácil, principalmente para os donos dos veículos que vivem de frete e tem de cumprir prazos apertados para entregar a carga. Muitos para conseguir dar conta de tanta entrega acabam usando substancias proibidas.

O uso das drogas é para fazer frente a uma rotina extenuante de longas jornadas de trabalho, por várias horas seguidas, sem descanso, para cumprir prazos predeterminados ou até para faturar um dinheiro extra no final de cada viagem. E esta realidade tem se agravado principalmente no final e início de cada ano.

Descanso x trabalho

Se por um lado a ‘Lei do Descanso do Caminhoneiro’ proibia o trabalho continuo por mais de 12 horas, a Lei Federal 13.103, também conhecida como ‘Lei do Caminhoneiro’, abriu brecha para que os motoristas possam dirigir até 12 horas e com isso, aumentou os riscos para a saúde dos condutores e também nas estradas. O constante uso de drogas para amenizar o cansaço ao volante é um dos impactos. Além da flexibilização das horas trabalhadas, a fiscalização precária da Lei do Descanso obrigatório de 30 minutos a cada cinco horas e meia de direção contribui para que motoristas parem apenas para alimentação ou quando o sono é incontrolável.

A lei 13.103 também tornou obrigatório o exame toxicológico para a emissão ou renovação da carteira de motoristas nas categorias C, D e E. Entretanto, desde o início da nova legislação, foram registrados 89.318 acidentes graves nas estradas federais, o que resultou em 6.244 mortos e 83.978 feridos. Das fatalidades, estima-se que 48% foram provocadas por caminhões.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em geral, o consumo de drogas causa cerca de meio milhão de mortes anuais. Uma das classes que mais utilizam drogas entorpecentes são os caminhoneiros. O uso é tão disseminado que, de acordo com o Ministério Público do Trabalho, quase um terço dos caminhoneiros dirige sob efeito de drogas pesadas.

Entre as drogas mais consumidas pela classe está a anfetamina, popularmente conhecida como “rebite”, que ajuda a reduzir a sensação de fadiga ao acelerar o funcionamento do cérebro. “Apesar de proporcionar uma falsa sensação de estímulo e bem-estar, as consequências do uso dessas substâncias podem ser irreversíveis para a saúde”, comenta o gerente de produção do Diagnósticos do Brasil, Fabiano Mateus, mestre e doutor em toxicologia e análises toxicológicas. Além disso, o rebite também aumenta a pressão arterial, levando o usuário a pensar que possui mais concentração e maior capacidade física. “Esses sintomas são muito perigosos, pois em vez de aumentar os reflexos, a substância os diminui – o que pode ser fatal enquanto se está dirigindo”, explica Fabiano. Outra droga perigosa também se popularizou entre caminhoneiros: a cocaína, que se tornou a mais utilizada pela classe. O gerente acrescenta: “para diminuir o tempo gasto entre os trajetos e estar ligado 24 horas por dia, muitos caminhoneiros optam por utilizar substâncias mais pesadas, já que, com uso contínuo, os rebites podem não apresentar o efeito desejado”.

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