Home / Opinião / BBB e a democracia (parte II)

BBB e a democracia (parte II)

Simbólico o fato de que na primeira edição onde o BBB procura esboçar uma vitrine étnica, que condiz um pouco mais com a realidade social do país, os discursos de ódio e ressentimento aflorem. Escancaram-se posturas autoritárias, machistas, racistas e homofóbicas, sobretudo entre uma classe média reumática, pretensamente intelectualizada, mas abertamente preconceituosa.

A proposta é observarmos pessoas sendo o que são: pessoas. O conceito central desse e demais reality shows enlatados está menos em ser entretenimento e mais em estereotipar atitudes, práticas, pessoas e falas.

Polêmicas, grandes e pequenas, têm ditado a opinião pública nacional: os brasileiros e brasileiras são capazes de esmiuçar um programa televisivo, mas geralmente incompetentes para refletirem o atual colapso social do país (este argumento não pretende reverberar a ideia de que as classes economicamente vulneráveis são mais alienadas, muito pelo contrário: são os setores mais bem estabelecidos a ecoarem um deteriorado senso de pensamento critico, seja ante a crise sanitária ou ao esculacharem participantes).

A prática do distanciamento social e a obrigatoriedade de um convívio no interior de nossas casas têm revelado o óbvio: somos seres insuportáveis e nem um pouco melhores que indivíduos submetidos às celas rodeadas por câmeras do BBB 21. E há quem pense que um programa que reedita, ano após ano, a mesmice das condições humanas não revela o país que vivemos. Puro engano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com