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Brasileiros no exterior: Como enfrentar os desafios de viver longe do país?

Apesar de todas as dificuldades, a tecnologia é hoje a maior aliada de quem mora no exterior para matar as saudades

Muitos brasileiros querem ter a experiência de viver no exterior, mas este momento de mudança pode não ser tão simples. Sair da casa dos pais ou mesmo do Brasil para morar no exterior pode ser uma decisão muito difícil, pois, além de deixar o conforto da casa, o convívio de amigos e da família, a adaptação de morar em outro país pode ser um dos maiores desafios. Além da adaptação da língua, outros fatores como a saudade de casa e as culturas diferentes podem interferir neste sonho e muitos acabam voltando antes do programado.

No ano passado, o número de brasileiros estudando no exterior atingiu o seu pico e bateu um recorde: 302.000 pessoas, representando um aumento de 23% em relação a 2016 e de incríveis 40 % em relação a 2015.

A modalidade mais procurada pelos brasileiros no ano passado foi curso de idiomas (46,4%), seguido de graduação (11,85%), ensino médio (9,15%) e curso de idioma com trabalho temporário (6,4%). Entretanto, esta última modalidade tem aumentado nos últimos anos. São intercâmbios mais longos, cujo visto só é concedido para quem fica mais de seis meses no país.

Ao buscar o aprendizado de uma nova língua, o jovem também visa uma melhor qualificação em um futuro mercado de trabalho. Os dados fazem parte de uma pesquisa da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), associação nacional de agências de intercâmbio e viagens educacionais.

O problema é que muitos brasileiros deixam empregos até certo ponto estáveis ou mesmo empresas próprias para trabalhar em atividades em fast food, café, pubs, restaurantes e até mesmo com limpeza, aumentando ainda mais os desafios a serem superados. Isso porque obriga o estudante a se adaptar mais rapidamente, principalmente à língua, já que terá que lidar com o público diretamente.

Apesar de todas as dificuldades, a tecnologia é hoje a maior aliada de quem mora no exterior, pois, com vídeo conferência e outros recursos é possível ter um contato diário com quem está fora para matar as saudades, restando apenas a barreira do horário. É o que faz Bruno Cesar Campos Capioto de 26 anos que morava em São Paulo e há duas semanas está na Austrália.

Assim como a maioria dos que optam por estudar fora, Bruno diz que tomou a decisão de deixar o Brasil para intercâmbio é aprimorar seu inglês. Para ele, as maiores dificuldades é a adaptação inicial do idioma, da cultura, do clima e das pessoas. “Sentir saudade por estar longe da família e amigos é ponto comum entre todas as pessoas que verifiquei”, destacou. .

Outra dificuldade é encontrar um lugar para ficar por conta de valores de aluguel. “Comecei dormindo no sofá na casa de um amigo. Corri contra o tempo para alugar um quarto e ter meu espaço. Hoje moro em uma casa com seis pessoas. Consegui me adaptar super bem aos moradores da casa”, salientou, observando que atualmente procura um emprego.

Ele diz que pretende retornar ao Brasil daqui a três anos, mas antes quer conquistar a fluência no inglês para poder empreender um novo negócio e viajar pela Ásia/Europa.

Com apoio de um amigo que já se encontrava em Sidney na Austrália, Gabriel Musselli, 27 anos, morador de Várzea Paulista disse que não teve muitas dificuldades quando chegou há seis meses. O fato de já conhecer um pouco do inglês ajudou muito.  “Moro no mesmo lugar desde que cheguei. Trabalho em uma churrascaria brasileira. E como á tinha conhecimento do inglês, por mais difícil que foi me adaptar à língua, eu não cheguei zero de inglês como alguns amigos que aqui estão. Então me empenhei nos estudos e hoje estou com um inglês suficiente para tudo necessário aqui”, contou Gabriel, destacando que decidiu morar em outro país, primeiramente para aperfeiçoar o Inglês em um país onde a língua seja nativa. “Também para ter a experiência de vida de morar perto de praia e cidade grande, como é Sydney”, disse.

A saudade da família, amigos e de seu cachorro não desanima Gabriel que bastante convicto afirma que pretende guardar um bom dinheiro para mandar para o Brasil, para quando voltar, dentro de três anos e meio, se o país estiver em boas condições, tentar um negocio próprio. “Tento manter o contato com a família mais frequente possível, mas devido ao meu horário de trabalho, estudo e a diferença de horário dificulta um pouco. Converso com eles sempre que posso pelo celular por vídeo e whatsapp”, conta.

Sempre pendurado do lado de fora dos prédios, um emprego que poucos arriscam desempenhar, o Window Cleaner (limpador de janelas) Raian Rodrigues da Silva de 24 anos,  que também mora na Austrália há  2 anos e 11 meses, diz que, apesar de ter saudades de tudo que deixou  em Divinopolis/MG, não pretende voltar ao Brasil, a não ser para visitar seus familiares.

Ele conta que era jovem aprendiz em uma empresa que prometeu contratar todos os aprendizes e devido a crise financeira do País, não contrataram e mandaram todos embora e sem perspectiva de conseguir um bom emprego, resolveu fazer um intercâmbio vencendo as principais barreiras que são o idioma e as saudades. “A maior dificuldade foi encontrar um trabalho que eu ganhasse o suficiente para pagar minhas contas, devido à falta de conhecimento na linguagem. Para me adaptar eu estudei o máximo que pude para melhorar meu inglês e ter o mínimo necessário para ter um bom emprego”, conta, destacando que seu maior objetivo é conseguir o ‘Permanent Residence’ (visto permanente) é poder ficar no pais sem ser como estudante.

Mudar de vida, conquistando mais estabilidade financeira, conhecer nova cultura, aprender uma língua nova. Estes foram os motivos que levaram o paulistano Ricardo Inada Inouye de 29 anos a morar na Austrália. Há um ano e sete meses no país, ele salienta que pretende retornar ao Brasil daqui a um ano e que busca mais conhecimentos dobre o mundo.

Como outros estrangeiros suas maiores dificuldades ao chegar foram os trâmites para a documentação para que pudesse trabalhar. “Já em relação ao lugar onde moro, não tive dificuldades de adaptação, pois, são todos família”, pontuou.

Ricardo também trabalha como garçom em uma churrascaria e para matar as saudades de quem deixou no Brasil liga sempre que possível.

A escalada de Wesley P. G. Macedo de 27 anos e morador em Jundiaí na Austrália foi bastante difícil. Sem ninguém que pudesse ajudar, amigos ou mesmo familiares e ainda não falar o idioma do país, Wesley Teve que começar do zero de novo. “Tive de bater de porta em porta na procura de emprego e felizmente, um restaurante de comida brasileira me deu a oportunidade mesmo sem falar inglês”, relata o brasileiro que está há dois anos e ainda trabalha no mesmo emprego.

Mesmo diante de tantos desafios, ele salienta que a situação de instabilidade política e econômica do Brasil foi um dos fatores que o motivou a mudar. “Percebi que estava na zona de conforto no Brasil e não via possibilidades de crescimento dentro da minha empresa, teria que buscar algo fora e a situação do país já estava péssima quando sai”, destacou, observando que busca a estabilidade financeira que me permita voltar para o Brasil e continuar sua jornada no pais onde nasceu. “Pretendo retornar daqui a cinco anos”, concluiu.

Para se comunicar com seus familiares e amigos usa as mensagens no WhatsApp, mas sabe que as saudades são sempre dolorosas.

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