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De licença parental, primeira infância à importância do autocuidado, ‘Câmara Viva’ discute rede necessária à mulher

Na segunda edição do projeto ‘Câmara Viva’, em noite desta quinta-feira (19), realizado na Câmara de Jundiaí para aproximar a população do Legislativo, desafios e necessidades de suporte às mulheres foram debatidos. Com a presença de mães e especialistas em diversas áreas, a mesa do plenário permitiu troca de experiências, perguntas da plateia e a discussão sobre a importância da mulher olhar para si, para seus momentos, entre tantas outras tarefas que se encarrega a fazer. O evento ainda trouxe ideias de políticas públicas que possam envolver também os homens nessa abordagem, que priorizem condições acessíveis às mulheres e seus filhos na primeira infância, além da possibilidade de licença paternidade, como já acontece em outros países.

O presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha (PSDB), mediou o debate, ao lado das palestrantes. Única vereadora a ocupar cadeira na Casa neste momento, como suplente do vereador Rafael Antonucci, Ana Tonelli (PSDB) também participou. Ana foi presidente da Câmara por dois mandatos e lembrou que, em boa parte das seis legislaturas, foi a única vereadora eleita. “Nós mulheres já nascemos empoderadas”, reforçou. O vereador Edicarlos Vieira (PSD) também compareceu à discussão e abordou, entre outras questões, acesso às vagas em creches em regiões da cidade.

A economista e pesquisadora em educação pela USP, Roberta Biondi Nastari, trouxe dados de pesquisas nacionais e internacionais que apontam a diferença salarial ainda existente entre homens e mulheres que ocupam as mesmas funções. Apesar de alguns avanços, os dados revelam essa discrepância e o quanto mulheres em condições mais vulneráveis socialmente são ainda mais desfavorecidas no mercado de trabalho e na reinserção ao mesmo, após a maternidade. Segundo Roberta, em países como Portugal, a licença para pais já é uma realidade e auxilia muito – para além do cuidado com os filhos ser igualitário entre pais e mães – permite à mulher conseguir se manter ativa na carreira e a voltar ao mercado como profissional.

Doutoranda pela Unicamp, psicóloga e diretora de Proteção Especial em Jundiaí, Ariane Goim, apresentou pesquisa de sua autoria que estuda saúde coletiva e o tempo dedicado pelas mulheres ao seu próprio conhecimento, suas verdades, potenciais entre outros aspectos. O alerta foi feito para que a mulher possa cuidar de si não apenas do ponto de vista estético. Ariane ainda contribuiu com esclarecimentos relacionadas às vagas em creches e aos casos de violência contra a mulher atendidos pela rede de assistência social da cidade. Segundo ela, se alguma ideia igualitária existisse, não teríamos a realidade de agressão às mulheres, cenário que segundo Roberta também está muito associado às faltas de oportunidade na educação.

Do ponto de vista do empreendedorismo e da mulher como protagonista de sua vida, Aline Matsumoto, empresária no ramo de bem-estar e diretora da Associação Mulher Empresária (AMEPIC), contou sua trajetória pessoal e se aproximou das experiências de tantas mães que por um período deixam a carreira profissional, mas ao se sentirem anuladas, superam tal fase e se reerguem em tantas novas funções. Ela ainda abordou a importância da sororidade, de mulheres também se ajudarem e não se depreciarem.

Jornalistas e criadoras do Portal Mães de Jundiaí, Kadija Rodrigues e Lívia Haddad, falaram cobra a criação de uma rede entre mães de Jundiaí e a necessidade de mulheres, sobretudo após a maternidade, também darem tempos e espaços pra si mesmas.

 

Do modo geral, a garantia de acesso à primeira infância dos filhos – bem colocada e já referenciada na educação de Jundiaí – assim como a possibilidade de licença paternidade ou estudo de linhas de microcrédito para mulheres que queiram abrir seus negócios foram algumas das sugestões deixadas pelas palestrantes no debate, além da criação de espaços destinados às crianças para que elas possam estar acompanhadas das mães e de rede de apoio, sobretudo, às mães que em condições sociais mais vulneráveis não conseguem voltar ao trabalho. “Fico muito feliz com um debate deste nível que acredito nunca ter acontecido na Câmara para debater exclusivamente este assunto. Que aqui tenhamos um primeiro passo para, quem sabe, criarmos um grupo de estudo que se aprofunde em todas essas ideias e possa gerar projetos de lei ou ações na cidade. O propósito do Câmara Viva é justamente esse”, disse Faouaz.

 

 

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