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hildon1810

Esquecimento coletivo

Ocorre com a crise atual algo curioso, a saber: a desmemória. Aos poucos as grandes mídias – rádios, televisão, jornais impressos e digitais, fontes primordiais de informação, muito embora não estejam livres de parcialidade o que, geralmente, perpetua interesses de corporações ao invés de cumprirem papel formativo da opinião pública e liberdade de imprensa – começam a diminuir a projeção informativa sobre pandemia e quarentena.

Esse esquecimento sistemático não revela a superação dos problemas. Acontece que a diminuição informativa é antes um processo midiático de apagamento dessas questões.

Continuamos em crise sanitária, os dados referentes ao contágio e mortes permanecem altos e não há um país em estagio de pós-pandemia, o contrário é verdade.

Há uma vocação nacional em não lidar com traumas e mazelas. A metáfora de varrer tudo para debaixo do tapete, até que outros problemas que também nunca são resolvidos ganhem destaque, é a triste imagem do Brasil.

Carregamos um esquecimento coletivo que não nos permite lidar historicamente com nossos dilemas: o genocídio indígena, o sistema escravocrata, a desigualdade social sempre gigantesca, a ineficácia geral dos nossos políticos são temas recorrentes. Eles chegam e partem, geram escândalos, mas seguem difusos, antitéticos, ou seja: nunca são resolvidos e/ou compreendidos pela nossa sociedade que se perpetua no atraso. Assim seguimos também com a pandemia: tudo certo, nada resolvido.

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