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Hiperpolítica (parte I)

Duas características do nosso frágil mundo globalizado, transpassado por fios de fibra ótica e cheio de torres de sinais para celulares, são: 1) simultaneidade das informações e 2) a diluição dos conhecimentos.

Pensemos nos bombardeios diários de notícias à nossa disposição, na praticidade de um toque. Agora pensemos no momento atual do país em período de pré-eleições. A quantidade – e qualidade – de dados não é aleatória, mas fruto de interesses e lucros.

A internet tem moldado gostos e, sobretudo, o caráter de quem a usufrui. Essa vasta aldeia global está longe de ser o reino da tolerância e razão. Ela tornou-se o maior instrumento de dominação da capacidade crítica; linchamentos virtuais, cultura do cancelamento, a alienação, as fake news e disparos sistemáticos de conteúdos tendenciosos, entre outros, são seus resultados perversos.

Em um país onde o debate público é, há tempos, colonizado por conglomerados televisivos e mídias impressas e digitais, a ideia de democratização do conhecimento é algo já impossível. A pálida sensação de liberdade individual nas redes sociais cria o absurdo de um mundo massificado, menos pensante. Tornamo-nos seres passivos e algemados no mundo virtual.

A internet, vista na parcela do seu ônus, tem erguido e derrubado políticos, tendenciado a capacidade argumentativa e destroçado o senso crítico. E tudo isso só revela que, para além das teorias conspiratórias e dos filmes pós-apocalípticos,, nós já estamos em uma distopia.

One comment

  1. Parece que estamos num tempo em que a crítica, antes uma forma de expressão da individualidade, transformou-se em um jogo de times, ou facções.

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