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Hiperpolítica (parte II)

Sob a camada de entretenimento e diálogo em nossos aparelhos celulares está a domesticação do tempo livre e a capacidade de senso crítico. Teremos eleições em meio aos descaminhos do Brasil imerso na crise da pandemia; com fracas medidas emergenciais entre governos federais, estaduais e municipais; ante a retração econômica e do trabalho; e, claro, ampliação das desigualdades sociais.

O contexto político nacional nunca foi estável, mas atualmente flerta com o colapso.

O cotidiano não somente está polarizado, mas experimenta deformações dos temas políticos que acabam por esvaziar o âmbito dos debates e construção do senso crítico. Desde as jornadas de julho de 2013 houve inchaço dos assuntos políticos e crise institucional sem precedentes.

Esses elementos, ao invés de ampliar a possibilidade da política para além de uma democracia representativa, tem gerado desinteresse das questões públicas – e o momento pré-eleitoral não serve como resolução desses problemas.

Fato: as redes sociais e seus algoritmos não são capazes de nos tornar melhor informados diante da rotina política dos municípios, cidades e país. A política como construção da cidadania pode até passar pelas plataformas digitais, mas não ocorre nesses lugares. Do excesso à estagnação: hiperpolítica.

Não, não estamos fora da caverna platônica e com chances de uma experiência democrática, pelo contrário: temos uma relação traumática com os meios de comunicação e com a esfera pública.

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