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Homenagens: só ao poder

Desde cedo percebi que o ser humano tende a ser imediatista e interesseiro. Bajula quem pode ajudá-lo. Despreza aquele que, eventualmente, venha a necessitar de ajuda. Por isso, mais de uma vez escrevi sobre a indisfarçável e escusa manobra de reverenciar o poderoso, chamando-a “tática das homenagens”. É o assédio falso a quem dispõe de cargos, funções ou autoridade. O núcleo comum é a parcela de poder de que se poderá extrair qualquer proveito. Inclusive aquele de uma aproximação que traduza familiaridade com o núcleo decisório. Mero deleite da vaidade, a vã e inafastável companheira do ser humano invejoso.

Raras, por isso, cada vez mais excepcionais, as iniciativas tendentes a cultuar vultos notáveis, que deveriam servir para recordar às gerações vindouras os verdadeiros valores, aqueles intangíveis e que não podem ser contabilizados no “toma-lá-dá-cá” das relações interesseiras.

Cumpre a quem está ascendendo recordar-se da lição evangélica: vaidade, tudo é vaidade. Ler com atenção o discurso sobre a vaidade dos homens, de Matias Aires. Lembrar-se da tão veraz lenda do asno que carregava relíquias na procissão e que acreditava que as genuflexões eram feitas para ele e não para o Santíssimo.

Nenhuma perspectiva de salvação da alma da criatura racional que continua a comportar-se irracionalmente, na crença vã de que sobreviverá ao final dos tempos e de que suas artimanhas conseguirão enganar a todos.

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