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Inimigos públicos

Regimes autoritários, sem vocação para debate de ideias, perseguem a cultura, isso é regra.

Ocasiões várias: o nazismo racista, de extrema direita, queimou livros e acossou tudo que não fosse “germânico”; o fascismo censurou o cinema italiano por décadas; o stalinismo, de extrema esquerda, aprisionou intelectuais vozes que o criticava; e sob o castrismo cubano pesa a perseguição a artistas homossexuais. O século XX tem contorno sombrio entre política, cultura e violência. Tensões perpetuadas neste século. O Brasil é parte dos desequilíbrios e vive numa espécie de populismo ultraconservador onde redes sociais e grandes mídias cedem à difusão do ódio fundamentalista.

O sinal disso é a proposta de tornar os livros mais caros. Sim, os livros são (infelizmente) elitizados, mas taxá-los é fazer deles ainda menos acessíveis e tal medida é medíocre.

Taxação das fortunas é que deveria ser iniciada (rendas além das classes trabalhadoras e das classes médias, são valores que ultrapassam milhões e não pagam impostos) –, assim como vigilância contra evasão de divisas (dinheiro que vai para lucros no exterior sem ser taxado) ou taxação e corte dos privilégios da classe política, iniciando pelo cargo principal do poder executivo.

Mas pelo visto este governo federal não tem o menor intuito de democratizar o acesso real à cultura e educação.

Essa taxação dos livros lembra o Index, veto que a Igreja Católica impôs sobre circulação de obras e ideias, por séculos. Livros já foram proibidos, censurados e queimados, mas eles, vistos como metáfora do conhecimento, resistem, são inimigos públicos da intolerância política.

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