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Mulher mantida em cárcere privado pelo ex-namorado relata que sofreu torturas por 3 dias: ‘Cenário de terror’

Vítima foi libertada por guardas municipais em Várzea Paulista (SP) após vizinhos escutarem pedido de socorro. Suspeito foi preso na terça-feira (12).

Mulher ficou em cárcere privado em Várzea Paulista — Foto: Arquivo Pessoal
Mulher ficou em cárcere privado em Várzea Paulista — Foto: Arquivo Pessoal

“Eu estava em um cenário de terror. Ele mandava eu ajoelhar, rezar e falar minhas ultimas palavras”. Este é o relato da mulher que foi mantida em cárcere privado e agredida pelo ex-namorado durante três dias, em Várzea Paulista (SP).

O homem, de 48 anos, foi preso na terça-feira (12). A mulher foi libertada por guardas municipais no início de maio, após os vizinhos escutarem o pedido de socorro dela e acionarem a polícia.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e, depois de insistir no retorno, a vítima acabou se reaproximando dele. No entanto, o agressor teria se revoltado com uma mensagem trocada com uma amiga, o que motivou o crime.

Segundo a vítima, a reaproximação ocorreu após o homem fazer questão de levá-la para uma cirurgia dentária. Após isso, ela conta que os dois foram para a casa dele, onde ficou presa.

O homem também a obrigava a enviar áudios para as pessoas dizendo que estava bem (escute o áudio abaixo).

“Estava tentando reatar nosso relacionamento porque estava complicado. Ele tinha problema com meus filhos. Eu bloqueava ele, mas sempre queria acreditar que tudo fosse dar certo. Estava apaixonada, não vou negar. Então, foi tudo muito difícil. Acreditei nas falsas promessas”, diz.

“Depois disso fiquei trancada na casa. Foram os piores dias da minha vida. Ele faltou do serviço para ficar me espancando, foi tortura dia e noite, noite e dia.”

Anteriormente, a vítima conta que o homem já tinha apresentado sinais de agressividade, que não queria que a mulher tivesse contato com os filhos e tentava prejudicá-la no trabalho.

“Ele queria que eu abandonasse meus filhos de qualquer maneira. Sempre achava uma forma de me privar. Não podia conversar com as pessoas no trabalho, tinha que colocar calça comprida e camisão, nem passar um brilho na boca porque ele seria agressivo”, diz.

Após as investigações, o delegado Rafael Diório Costa, responsável pelo inquérito, pediu a prisão temporária do suspeito. O mandado foi cumprido e o investigado capturado. A polícia também recuperou o celular da mulher, que será analisado.

Pedido de socorro

Vítima foi mantida em cárcere por três dias e foi libertada por guardas municipais — Foto: Arquivo Pessoal
Vítima foi mantida em cárcere por três dias e foi libertada por guardas municipais — Foto: Arquivo Pessoal

A vítima ainda diz que no local do crime não tinha nenhum móvel, apenas um colchão e uma mala de roupas do homem. Após dois dias de tortura, ele precisou voltar para o trabalho e deixou a mulher na casa. Foi quando ela conseguiu pedir ajuda para os vizinhos.

“Não tinha como eu escapar de maneira nenhuma. A única forma foi gritar para vizinha e pedir para chamar a polícia. Se eu apanhasse mais uma vez não ia aguentar. Ele havia quebrado uma costela minha, batido com chave de fenda, quebrado um cabo de rodo em mim. Eu estava muito machucada. A casa havia sangue por todo lado. Eu não ia ter escapatória.”

A Guarda Municipal libertou a mulher do local e, junto com o filho dela, foram até a delegacia e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) realizar exames.

“Eu estava tão cansada de apanhar que não acreditava que estava viva. Minha mente estava muita confusa e eu estava com muita dor. O tempo todo ele tocava o terror em mim e falava que preferiria morrer do que ser preso.”

“Eu consegui ser uma sobrevivente. Eu sou mais uma margem na estatística do feminicídio porque se eu ficasse mais um dia ali, ele ia me matar. Presa com ele eu já estava”, diz.
Após o caso, a vítima conta que ficou sabendo de relatos de outras pessoas que também notaram o comportamento agressivo do suspeito.

“Quando ele me agrediu disse que nunca tinha batido em mulher, mas me disseram que ele já tinha batido até na mãe e que já tinha sido preso por agressão. Ele disse que ficar preso cinco dias, pra ele, não seria nada. Sempre vi isso acontecer com outras pessoas, mas nunca imaginei que isso aconteceria comigo”, explica.

“Emocionalmente eu não posso dizer que estou bem, ainda me emociono muito, a pior coisa é quando preciso voltar para o local. Mexe muito comigo. Eu nem sei como passei por tudo isso. Não chegou minha hora ainda, realmente não chegou”, conclui.

Fonte: G1 Sorocaba e Jundiaí

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